segunda-feira, 18 de abril de 2011

Primeiro Preludio

Na minha casa acordava-se com música. A radio Am da Dna Bê na cozinha desde cedo até as onze horas. Sempre igual, um café, um holywood e antes do meio dia meu pai enchia a casa com suas melodias. Eu me sentava ao lado do pedal do órgão e ele ia me falando as notas. Ali eu aprendi o do ré mi, com a imagem gigante do meu pai deslizando suas mãos nas teclas brancas e pretas.

Cantar era uma forma de chamar sua atenção pra mim, de dizer que eu também tinha um dom, herdado dele.

Segui cantando e é claro que o mundo engoliu meus sonhos.

Continuei porque a certa altura isto era a realidade. E apesar de viver dela, a música foi tornando-se distante. Mais ofício que prazer.

Cada vez mais longe daquelas manhãs de repetidas canções. Cada vez mais difícil cantar depois que meu soberano pai-maestro foi arregimentado para o céu.

Agora eu estou voltando. Sento ao piano e com toda humildade tento aprender tudo do começo.Cada frase que consigo tocar , é um pedaço daquelas manhãs que resgato em canção.

Estou tirando esse prelúdio com se entrasse numa imensa catedral.

Agradeço a Nilze, minha professora a sua paciência.

E ofereço ao Sr Fabio Valente todas as musicas que eu puder tocar.

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